House of Night - Merry meet, merry part e merry meet outra vez!

House of Night (série)
P.C. Cast e Kristin Cast
327 páginas
Novo Século
Ano de publicação: 2009 

Sobre o que é: Zoey Redbird era uma guria normal de 16 anos até que um dia um cara pálido e bizarro, cheia de marcas no rosto, chega na escola dela e a marca com o sinal da Deusa Nyx, dizendo que ela foi escolhida para ser uma novata e que agora terá de viver e estudar na House of Night (Morada da Noite) até sua transformação estar completa e ela virar uma vampira adulta. Porém, Zoey é diferente de todos os outros calouros porque sua marca de lua crescente na testa já está completa, e a deles não e ela tem toda uma vibe íntima com Nyx, que acaba a escolhendo como queridinha numa guerra de poder bem louca que está se aproximando entre vampiros.

Por que ele é bom? VAMPIROS ADOLESCENTES WICCANOS. Vampiros adolescentes que fazem rituais pra Deusa Nyx. Vampiros adolescentes que moram numa escola de vampiros e têm aulas sobre como ser vampiros. Sociedade vampírica que existe desde sempre e tá convivendo de boas com os humanos. Gente, preciso falar mais?

Não preciso, mas vou. Essa série entrou pra meu roll de séries preferidas de livros porque parece muito ruim, mas é boa demais. Geralmente, não gosto de historinhas de vampiros, essa vibe Crepúsculo de ser, mas o que a P.C. e a Kristin (que são mãe e filha, por sinal) fizeram foi misturar várias coisas da mitologia e da história, como vampiros, bruxas, paganismo e até mesmo as lendas Cherokee, um povo indígena dos EUA. Gosto muito quando a autora sai do clichê triângulo amoroso de vampiros sedutores e coloca coisas interessantes no meio - afinal, pra que ter limites na ficção?

Quando peguei o livro pra ler foi porque tinha acabado de ler Carta ao pai, do Kafka, e tava muito deprê porque Kafka era um menino cheio de trauminhas & ressentimentos. Aí resolvi que precisava ler um livro adolescente idiota pra sair daquele draaaama. Foi assim que me decidi por Marcada, o primeiro livro da série: pela capa já deu pra ver a vibe Crepúsculo dele e me atirei na leitura. Só que me deparei com uma história realmente legal. Adolescente, sim. Mas legal pra caramba. Eu, que não costumo ler romances adolescentes - porque não tenho saco pra historinhas de amor e decepções -, me surpreendi com o livro e precisei continuar a leitura. Em 2 meses, havia lido os 12 livros da série (sim, 12; sim, é coisa pra caramba; não, não acho isso necessariamente ruim).

No mundo de House of Night, os vampiros sempre existiram e convivem de boas com os humanos, porém existem duas sociedades paralelas: a humana e a vampira. Ambas sabem da existência uma da outra, mas não se metem em seus assuntos e estão lá, convivendo. Os vampiros são marcados com o sinal da lua crescente na testa aos 16 anos e, ao serem marcados, precisam ir para a Morada da Noite mais próxima para estudarem e completarem sua transformação - que pode ou não ser completada, muitas vezes o novato rejeita a transformação e acaba morrendo. Mas ele certamente vai morrer se não for morar numa Morada da Noite porque se um novato fica muito tempo longe de vampiros adultos, seu corpo rejeita a transformação e ele morre - os vampiros adultos os fortalecem estando por perto.

Aliás, os vampiros são bem diferentões e não saem por aí chupando pescoços ou necessariamente tendo de tomar sangue pra sobreviver. Vezenquando eles vão a um banco de sangue e tomam um pouco pra ficarem mais fortes, mas em geral eles comem comida normal e adoram hambúrguer e refri. Também não tem essa de "me mordeu, virei vampira". A pessoa só vira vampira se Nyx escolher e a marcar com a lua crescente na testa. É tipo um dna vampírico que se manifesta aos 16 anos - ou não.

Mas acho que a coisa mais bacana de todas é que a sociedade vampírica é matriarcal! Existe a Alta Sacerdotisa e as outras Sacerdotisas, que comandam tudo e fazem as leis. Os vampiros são apenas Guerreiros de Erebus, o consorte de Nyx. Mas quem manda são as mulheres. Isso faz com que a estrutura da sociedade seja bem diferente e muito mais legal do que qualquer outro livro vampiro por aí. Imagino que elas tenham escrito as coisas dessa forma porque se baseiam no paganismo Wicca, que tem toda uma vibe feminista maravilhosa.

Por que ele é ruim? Não é ruim, só que SÉRIE DE 12 LIVROS. Gente, pra que tanto livro? Porém, a partir do momento em que se começa a ler o primeiro, aquilo passa tão rápido que a gente anseia pelo próximo e fica até meio triste quando vê que a série acabou. São livros adolescentes e livros adolescentes a gente lê numa sentada, numa viagem de ônibus. A leitura flui que é uma maravilha.

Acho que a única coisa que achei irritante nos livros é que a Zoey fica toda hora num triângulo amoroso. Sim, eu entendo que isso é meio que regra em livros adolescentes, mas não deixa de ser menos chato. Se ela se concentrasse mais nos problemas que estavam acontecendo na Morada da Noite e no mundo vampírico e menos em rapazes bonitões, a série teria só metade dos livros que tem porque as coisas seriam solucionadas mais rapidamente. PORÉM: novamente, isso não é necessariamente ruim, é que eu sou tipo o presidente Snow quando se trata de romance:


Você vai gostar se... tinha pôsteres de Crepúsculo na parede quando era adolescente, adorava Fallen, Hush Hush, gosta de qualquer coisa com vampiros ou uma pegada sobrenatural e wiccana, cheia de rituais e paganismo. Também vai gostar se adora ver mulheres fortes mandando os caras calarem a boca e assumindo posições de comando (Aphrodite, te dedico ♥).

Em um quote:
"A escuridão nem sempre equivale ao mal, assim como nem sempre a luz traz o bem." 

Resuminho de junho


Queria muito ser uma dessas pessoas pró-ativas que se propõem a fazer coisas em prazos determinados e de fato as fazem, mas estamos aqui escrevendo sobre junho em meados de julho e com apenas duas semanas restantes de férias porque é isso o que acontece quando você é o tipo de pessoa que estabelece uma rotina apenas para poder aloprá-la constantemente.

Dito isso: saí do emprego.
Que, na verdade, era um estágio. Cujo contrato terminou. Nada muito dramático, já era esperado e tá tudo certo - afinal de contas, trabalhar em assessoria de imprensa não é tipo o sonho da vida. Foi bom porque consegui adquirir mais trinta livrinhos pra biblioteca pessoal. Foi ruim porque consegui adquirir mais dez quilos pra me impedirem de caber nas minhas roupas.

O engraçado de ter saído de lá é que o ex-chefe disse que não poderia renovar o meu contrato porque "preciso de alguém mais pronta". Eu perguntei pronta pra o quê, né. Ele disse que pronta a atender o telefone e fazer trocentas funções que não eram as minhas. Eu disse um okay, peguei as minhas coisas e fui embora, bem aliviada porque fazia 3 anos que eu não parava e tirava um tempo pra mim. 3 anos em que eu não via a minha família direito, 3 anos em que não tinha tempo pra me cuidar, 3 anos em que minhas atenções eram completamente esmigalhadas porque a rotina era acordar 5h30 da manhã, pegar o ônibus, ir trabalhar, de lá ir pra faculdade e só voltar à meia-noite, pronta pra dormir. Todos os dias.

Por uns dois dias, fiquei que nem o Tomas, de A insustentável leveza do ser, quando Tereza volta pra Praga sem avisar o cara e ele se depara com uma casa vazia em Zurique e com uma liberdade totalmente inesperada naquele momento. Isso durou bem pouco porque logo em seguida eu estava, como ele, voltando pra Praga, ou seja, indo atrás de uma nova rotina porque eu não sei descansar. EU NÃO SEI DESCANSAR. Não sei ficar parada, não sei não ter rotina, não sei ter tempo pra fazer o que eu quiser. Fazer o que eu quiser requer reflexões sobre o que diabos eu realmente quero e geralmente a resposta é um grande sei lá em neon azul-bebê piscando.

Essa coisa de ter liberdade pra se fazer o que quiser é muito angustiante porque se me deixarem fazer o que eu quero vou entrar num looping de about:blank por uns bons dias que provavelmente será substituído por outro looping de maratonas de séries e longas noites de insônia dedicadas a analisar minuciosamente tudo que já fiz de vergonhoso e errado na vida e a produzir uma lista extensa de pessoas a quem eu deveria estar pedindo desculpas - se bem que acho que o caso seria virar ermitã, fugir pras montanhas e viver tipo Sir Isaac Newton, fazendo minhas coisinhas e só vendo alguém periodicamente pra receber mantimentos.

~Nick Miller, você me entende~ 

Nessa onda de HAHAHA ADEUS, HUMANIDADE, li poucos livros porque essa coisa de não ter rotina bagunça totalmente com a minha vida. Eu sou uma pessoa que aproveita as quase 4h de viagem de ônibus diárias pra ler. O que vou fazer agora que diminuíram umas boas 2h no trajeto? Vou ler em casa, com a família sempre querendo falar comigo? Não dá. Aí fiquei bem ~agoniada~ e li apenas quatro livrinhos.

.do que li 


1. Comecei o mês terminando de ler 1984 e, gente, gostei pra caramba de como o George Orwell escreveu esse livro de forma nada pretensiosa e arrogante, sendo bem didático e sem fazer trocentos rodeios NÉ, ALDOUS HUXLEY. Mas Winston, o personagem principal, é um cara tão aaaaargh que não dá pra ter pena dele. Quer dizer, não desejo o que ele passou pra ninguém, tortura não é algo muito legal, mas digamos que ele é um anti-herói bem construído e o livro é 100% aprovado com o selo Wink Book Award

2. Aí fiz um trabalho de rádio que consistia em gravar um programa e fazer um debate, blablabla. Como tava próximo do Dia do Orgulho LGBT, agarrei o plot pra ver Amora, da Natalia Borges Polesso, e tentar conseguir uma entrevista com ela já que ela é da mesma universidade que eu e super acessível - que acabou não rolando, apesar de ela ser super atenciosa, porque Murphy me ama, Murphy me quer. Mas o livro é realmente muito bom, apesar de eu não gostar de contos de forma geral. A Natalia escreveu só historinhas de romances lésbicos e eu achei isso bem bacana. Ficou tudo muito delicado e bonito. 

3. Passei duas semanas lendo A Garota-Corvo porque a. o livro é gigantesco, tem quase 700 páginas numa diagramação com fonte pequena; b. a história é pesadíssima e as primeiras cento e poucas páginas total me fizeram passar muita raiva e reclamar no twitter. Mas no final a coisa ficou melhor e eu fiz até um sorteio do livro, vejam só! Só que: Erik Axl Sund é uma duplinha de quase véios hipsters que adotaram um nome só e resolveram polemizar escrevendo uma história sobre pedofilia feminina. Acabou que a construção ficou bacana, tem personagens incríveis, mas ainda acho que homens não deveriam escrever mulheres pedófilas porque sempre cagam de alguma forma, ponto final. 

4. Com os 20 anos de Harry Potter, total aproveitei a oportunidade pra reler a série e comecei por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban porque não lembrava de absolutamente nada do livro e, gente, que livrinho amor ♥ J. K. Rowling acertou demais no romance policial, vibe Agatha Christie, desse livro. Sirius e Lupin são maravilhosos mesmo e eu queria muito o vira-tempo da Hermione - apesar de que imagino que aquilo dê um cansaço dozinfernos porque vai uma hora, volta na mesma hora, só que escondidíssima porque ninguém pode ver a pessoa... E que horas a criatura vai dormir, me explica? 

E é isso, gente. 
Junho foi um mês tranquilo cheio de revoluções internas porque é assim que são meses de mudança de rotina: tudo parece bem, mas há algo estranho em Avalon. Porém, prosseguimos. 

Agora, licença que vou voltar pra minha mais nova obsessão: Outlander e sua 2ª temporada. 

As pessoas no ônibus, elas são o inferno

Uma das coisas que mais me deixa louca é ter de andar de ônibus. Não, eu não me importo com os sacolejos daquele trambolho, tampouco com a demora do trajeto. O que realmente me incomoda são as pessoas. 

Tô 100% nem aí se pareço misantropa - até porque é bem possível que meu grau de misantropia seja meio elevado mesmo -, mas as pessoas, elas são o inferno. Sartre estava certíssimo quando disse isso e eu não poderia contradizê-lo, mesmo não indo muito com a cara dele. 

A ceninha do pessoas e por que elas são tão escrotas de hoje se passa dentro de um ônibus lotado (como sempre). Estava eu cheirosa e cansada, saindo da faculdade quando o tão esperado ônibus finalmente aparece. ALELUIA, já tinha atrasado meia hora e eu só precisava de um canto pra ficar quietinha durante as duas horas de viagem. 

- Um canto pra ficar quietinha? - zombou o Universo. 
- Sim, um canto pra ficar quietinha - disse eu, na maior inocência. 
- Hm, veremos. 


Entrei no dito cujo. Havia apenas um lugar vago e ele tinha de ser meu, obviamente. Sentei, abri meu livrinho e comecei a fazer leitura, bem feliz da vida por ter encontrado um cantinho pra ler durante as horas até em casa. 

Então a porta do ônibus se abre. Sobe por ela uma mulher. A senhora que está ao meu lado levanta prontamente e cede lugar. Okay, achei bacana, achei respeitoso. "Por que você não fez isso então, Mia?" Olha, porque nem deu tempo de pensar em fazer e a outra já tinha feito. Desculpa, sou uma pessoa de atitudes lentas, vida que segue.

Só que aí a mulher sentou ao meu lado e no mesmo momento eu tive de me controlar fortemente pra não vomitar. Olhei pra o lado: a mulher estava imunda. Não imunda do tipo pessoa mendiga - eu jamais brincaria com isso, até porque um dos meus maiores medos é de me tornar uma dessas pessoas que ficam nas ruas porque a vida é muito difícil/horrível, então elas saem e nunca mais voltam e começam a pregar sobre o apocalipse para transeuntes incautos  -, mas sim do tipo: hoje não tava a fim de tomar banho, desculpaí.

A mulher sentou ao meu lado e eu, que estava com uma echarpe no pescoço, tive de pegar aquilo e enrolar na minha cara porque ou era isso ou era cosplay de Reagan vomitando no Padre Karras.

Aguentei a viagem toda assim, com a cara tapandinha e a mulher fedendo horrores ao meu lado. Ela, vendo aquela cena de eu com a cara tapada, não ficou muito contente e começou a resmungar e a me dar cutucões (!!!!), ao que eu apenas inspirei fundo e fiz o Buda porque chega de brigas em ônibus, Mia, você não tem mais idade pra isso, Mia.

Após muita meditação e uma concentração jamais antes vista no livro da vez, percebi que o ônibus estava esvaziando e decidi levantar pra procurar outro canto pra sentar. PRA QUÊ? Foi eu fazer isso que pessoas aleatórias começaram a me encarar feio e falar coisas como: "Meu Deus, que horrível", "Olha só isso, nem disfarça", "Não tem consideração pelos outros". Ao que eu, cansadíssima e de saco cheio, mandei um:

- QUERIDOS, BANHO EXISTE, SABIA?

Fui pra um canto e lá fiquei, encarando todo mundo feio até que baixassem a cabeça porque não sou obrigada.

Não compreendo o que leva o ser humano a ser a sua pior versão no transporte público, mas me pergunto seriamente qualé a dificuldade de fazer higiene básica. Como eu já disse várias vezes, não é difícil se portar nos transporte coletivo.

Você não precisa ser simpático.
Você não precisa ser querido.
Você não precisa ser extrovertido.
Você não precisa flertar.
Você não precisar amar filhotes de cachorro (apesar de que se você não amá-los é bem provável que eu te ache uma pessoa no mínimo estranha demais).
Mas você precisa ter HIGIENE. Especialmente se for estar num ambiente fechado com outras pessoas.

Dito isso: vão tomar no cy, vou inventar o teletransporte e parar com essa palhaçada. 

A garota-corvo

A garota-corvo 
Erik Axl Sund
Companhia das Letras
580 páginas
Ano de publicação: 2017 

Este exemplar foi cedido em parceria com a editora. 

Sobre o que é: quando corpos de meninos imigrantes começam a aparecer embalsamados e sem os genitais, a detetive Jeanette Kihlberg entra de cabeça num caso extremamente complicado envolvendo uma rede de pedofilia no Leste Europeu e uma trilha de corpos e coincidências que não podem ser apenas ao acaso. Sofia Zetterlund, uma psicóloga especialista em crianças que sofreram abuso, acaba se envolvendo profundamente na investigação e descobrindo fios de uma trama complexa, repleta de gente perturbada e cenas chocantes, capazes de deixar em estado de alerta até os mais tranquilos. 

Por que ele é bom? É difícil dizer por que é bom um livro que fala sobre pedofilia. Ainda mais sobre pedofilia feminina. Porém, o que Erik Axl Sund fez (na verdade fizeram, haja vista que esse é o pseudônimo de dois autores que escreveram o livro juntos: Jerker Eriksson e Håkan Axlander Sundquist) foi construir uma das melhores personagens que já li: Victoria Bergman. Ela é uma personagem forte e que faz sentido. Após anos sendo abusada repetidamente, Victoria tem muitos trauminhas e a forma com que ela lida com eles é muito coerente com a forma como uma mulher traumatizada age.

É bacana a forma como os caras conseguiram abordar o distúrbio de múltiplas personalidade e outros transtornos psicológicos causados por traumas e abusos. Victoria é apenas uma das personagens sobreviventes dessa rede, mas todas elas são muito bem trabalhadas, mostrando as diversas faces das consequências que esses atos criminosos podem gerar. Foi interessante isso porque geralmente, em romances policiais, a gente vê as consequências legais, mas não necessariamente as psicológicas, e isso faz toda a diferença no livro.

Aliás, é bem legal que todas as personagens principais do livro são mulheres! É bem difícil ver isso na literatura, ainda mais em livros policiais, com seus personagens machões e viris. Esse não: a detetive à frente do caso é mulher - e sofre horrores com o machismo dentro da polícia -, as vítimas são mulheres e também as agressoras. Esse é um grande diferencial do livro: todas as mulheres são fortes e vão atrás do que querem, não há personagens passivas. Isso é bem destacado em Jeanette Kihlberg, a detetive investigadora do caso. Ela não aceita desaforo de ninguém e se impõe, fazendo com que a respeitem devidamente e que ouçam sua visão apurada pra crimes e suspeitos.

Outra coisa bem importante no livro é que ele é realmente misterioso. Nós somos tão surpreendidos quanto Jeanette conforme ela vai descobrindo as coisas. Eu sou o tipo de pessoa que na segunda página já desvendou o mistério, mas é impossível desvendar os assassinatos desse livro. Quando você pensa que entendeu tudo, vai lá o narrador e te mostra que você não sabe de nada. Isso é algo que eu só havia visto antes nos livros da Agatha Christie e pra quem gosta de romance policial, é um prato cheio.

Uma coisa que adorei também é que A Garota-Corvo é uma trilogia que a Companhia das Letras decidiu publicar como livro único. Ponto pra vocês, Companhia! O livro é dividido em três partes - o que é bem melhor do que três livros separados, na minha opinião. Não aguento mais essa coisa de trilogia disso e daquilo. Gosto de ler um livro com a história até o fim, não de ter de esperar por outro volume ser lançado pra poder saber o que aconteceu com tal personagem.

Por que ele é ruim? O livro me fez passar raiva algumas vezes porque com toda essa coisa de mistério insolúvel, ele te dá pistas que te levam a crer que o que está acontecendo é uma coisa muito ruim: parece que eles estão culpabilizando a mulher e justificando a pedofilia com os abusos sofridos na infância e o fato de ela não poder ter filhos. Só que - e isso não é spoiler, juro - não é assim que acontece. É apenas mais uma pista falsa muito bem arquitetada pra gente pensar que é uma coisa quando é outra bem diferente.

Joinha pra os autores: conseguiram me enrolar a ponto de me fazer passar raiva em alguns momentos.

Algo que achei bem engraçado e ainda estou em dúvida se é um ponto negativo ou apenas uma curiosidade divertida é que em várias partes do livro é mencionada a trilogia Millennium, do também sueco Stieg Larsson. Claramente os caras acham que estão no mesmo patamar de Stieg, com sua maravilhosa Lisbeth Salander - o que é muito engraçado, mas acho que ninguém vai conseguir estar no mesmo nível daquela trilogia sensacional. A Garota-Corvo tem uma trama bem intrincada, mas Millennium é perfeito.

Você vai gostar se... gosta de romances policiais, da Agatha Christie, adorou Millennium e curte umas vibes mistérios da Suécia.

Em um quote:
É mais importante proteger os possíveis agressores do que as possíveis vítimas. Esse é o mundo dos homens. (p. 238) 

ATENÇÃO: SORTEIO! 


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Balanço de leituras 2017/1

Assim como a Michas, também acho uma boa ideia fazer um balanço das leituras de 2017/1. Pra isso, a gente pegou a tag dos 50% pra responder. Geralmente, ela é feita em vídeo, mas quem aqui quer ver a minha cara estranha falando, não é mesmo? Melhor assim. :)

2017 tem sido um ano bem melhor do que 2016 em todos os aspectos, especialmente o literário. Ano passado, nesse mesmo período, eu tinha lido apenas 11 livros. Tava numa ressaca literária dozinfernos e por mais que eu tentasse e quisesse não tinha jeito de ter ânimo pra ler. Já neste ano só não li mais além dos 31 livros lidos até agora porque provas, trabalhos, vida acadêmica (e todo o resto).

Hoje é o quarto dia de julho, o que significa que ADEUS, SEMESTRE e OLÁ, FÉRIAS DE INVERNO. Também significa que metade do ano já se foi e dá pra fazer aquele balanço maneiro do que tem sido até agora. Mas quem é que quer falar do balanço da vida quando se pode falar de literatura? Então, vamos lá!


1. O melhor livro que você leu até agora, em 2017: 
Sem sombra de dúvida, A Montanha Mágica, do Thomas Mann. Li muitos livros excelentes este ano, mas sabe aquele livro que te deixa com saudade? É assim que estou desde que li essa história.

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2017: 
Os livros do Ciclo de Avalon, da Marion Zimmer Bradley: A Queda de Atlântida (1 e 2) e Os Ancestrais de Avalon. Ainda não terminei de ler todo o Ciclo, que vai até As Brumas de Avalon, mas tá sendo demais ler mais dessa história que, posso dizer com certeza, é a minha favorita de todas que já li.

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito: 
Não sou muito de fazer listas de livros que quero ler, até porque vou lendo conforme dá vontade mesmo, sem muita programação, mas um que quero bastante fazer leitura é o 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, da Mo Daviau.

4. O livro mais aguardado do segundo semestre: 
A edição da Companhia das Letras de Anna Kariênina, do Tolstói. ♥

5. O livro que mais te decepcionou esse ano: 
Difícil falar em decepção propriamente dita, mas foi meio chato finalmente ter lido os livros da Chimamanda (Sejamos todos feministas e Para educar crianças feministas) e descobrir que, ao contrário de basicamente todo mundo, eu não gosto da escrita dela, não comprei o argumento e não passei a citá-la por aí como uma referência feminista. Sim, eu sou feminista. Mas não, não vou me deixar levar pela onda feminista (de internet, total produto de marketing) que diz que se algo tem a palavra ~feminista~ no título, preciso glorificá-lo. Olha, isso não funciona comigo. Assim como a Chimamanda.

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano: 
Certamente foi o Outros jeitos de usar a boca, da Rupi Kaur. Eu realmente não esperava nada desse livro. Nada, nada, nada. Aí comecei a ler e veio o choro e todos aqueles ~sentimentos~. Gente, não sei lidar com sentimentos, não. Li, reli e foi incrível demais a catarse que esse livro me proporcionou. Só amor.

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente): 
Jenny Lawson! Dela, li o Alucinadamente feliz e total me identifiquei. Quer dizer, eu literalmente poderia ter escrito aquele livro. Quero ler tudo o que essa mulher escreve.

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente: 
Não sou o tipo de pessoa que tem crushes literários. São tão poucos que se eu fizer uma lista agora, é bem provável que daqui a 5 anos a lista seja a mesma. Mas um personagem que certamente entrou pra o roll de crushes literários este ano foi o Hans Castorp, de A Montanha Mágica. Não tem como ler esse livro e não crushar o Hans, com aquele jeito simples e aberto dele. E NÃO ESQUEÇAMOS DE REMUS LUPIN, POR FAVOR. Gente, Remus Lupin melhor pessoa, total deveria ter sobrevivido.

9. Seu personagem favorito mais recente:
Tô realmente em dúvida entre Remus Lupin e Sirius Black, ambos de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Terminei a releitura do livro ontem apaixonadíssima por ambos. Pra mim, são alguns dos melhores personagens da série. (Claramente eu tenho uma queda por gente complicada & estranha.) 

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre: 
Nem preciso pensar muito pra responder: A elegância do ouriço, da Muriel Barbery. Pensem numa pessoa chorando desconsoladamente. No ônibus lotado. Por meia hora. Abraçada a um livro. Pois é.

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre: 
Clichê e repetindo resposta, mas Alucinadamente feliz.

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2017: 
Acho que não assisti a nenhuma adaptação de um livro que eu tivesse lido, então... ¯\_(ツ)_/¯ 

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo):
Queria não ser repetitiva, mas não tem como nesse caso: a minha resenha preferida do ano até agora é a de A Montanha Mágica, esse livro sensacional que virou um dos meus preferidos da vida. ♥ 

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano: 
Difícil isso porque tava fazendo umas contas aqui e vi que comprei/ganhei mais de 30 livros. E são todos muito lindos. Mas tem dois que são incríveis demais e moram no meu coração: a nova edição da Companhia das Letras de A insustentável leveza do ser, que tá tão incrível que fiquei abraçada nela quando a recebi (juro! hahaha) e Antologia da literatura fantástica, naquela edição maravilhosa da finada Cosac Naify (sdds). 

Uma publicação compartilhada por Mia (@miasodre) em

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15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano? 
Eu tenho uma breve lista na meta de leitura do Skoob. Coloquei 12 livros na meta no início do ano. Até agora, li apenas 5 deles, mas seguimos tentando. Os restantes são: A volta do parafuso, do Henry James, A menina que roubava livros, do Marcus Zusak, Quem é você, Alasca?, do John Green, O ladrão de raios, do Rick Riordan, O caso dos dez negrinhos, da Agatha Christie, Propaganda monumental, do Vladimir Voinovitch e O mestre e Margarida, do Mikhail Bulkagov. Basicamente, apenas livros que estão parados na minha estante há anos e que eu preciso ler de uma vez ou pra amar ou pra desocupar espaço. Fora esses, tem os de parceria. Os que eu já tenho aqui são: A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera e Atlas de nuvens, do David Mitchell. Mas ainda estão pra chegar O livro do juízo final, da Connie Willis e Os despossuídos, da Ursula K. Le Guin.

De resto, começamos julho relendo A insustentável leveza do ser ♥ e também a série Harry Potter - mas a minha grande vontade mesmo é de começar a série Outlander, porém: tempo, cadê?!